Este fim de semana passado, quem esteve no Paris Air Show, testemunhou dois acontecimentos históricos: o primeiro foi um vôo transatlântico alimentado a biocombustíveis e o segundo envolveu um avião muito maior (embora com uma percentagem menor de biocombustível). O Gulfstream G450 da Honeywell da América do Norte para a Europa queimando uma mistura de 50-50% de querosene, derivado de algas fósseis e biocombustível derivado de óleo de camelina.
O combustível misturado possui todas as mesmas características do combustível tradicional, exceto que a queima é um pouco mais poupada. O biocombustível tem que ser misturado, no entanto, para que não vaze de motores convencionais (o biocombustível não tem hidrocarbonatos que ajudam as válvulas e selos num motor de avião). No lado positivo, a mistura reduz o aroma de combustível de aviação para a equipa de terra.
O biocombustível derivado de camelina, contribuiu com 15 % do combustível não fóssil no primeiro Boeing 747 para fazer o vôo transatlântico. Aqui está o video onde se pode observar o Boeing 747 a aterrar em Paris:
Nenhum avião exigiu mudanças em qualquer um dos seus motores para queimar o biocombustível. Mais de 700 mil litros de biocombustível foram produzidos até à data, para clientes como a Marinha dos EUA e a Força Aérea dos EUA. O próximo obstáculo é simplesmente certificar que o biocombustível conhecido na indústria como querosene sintético parafinado, possa ser usado comercialmente, e em seguida, reduzir o custo (que continua a ser mais caro do que o combustível fóssil). Já, ASTM publicou um padrão provisório. Isto significa que bio-jatos sejam uma realidade e os vôos de demonstração não acontecam por muito mais tempo.
Afinal sempre é finito…
Em 1919, o geólogo norte-americano David White afirmava que o petróleo era um bem finito, e que se atingiria o ponto máximo na sua extracção em 1929. Não imaginava pois este cientista que, passados 80 anos, ainda aqui estejamos a consumir petróleo e, para seu grande espanto, como se este existisse ainda em abundância.
Ao longo dos anos, a ciência proporcionou à sociedade global que os crescentes volumes de extracção e de produção petrolífera fossem em certa medida compensados por consumos de combustível cada vez mais eficientes, empurrando sempre mais para a frente o fim previsível do petróleo.
Só quando se iniciaram os debates sobre as causas das alterações climatéricas que se verificam no nosso planeta, é que se falou seriamente na necessidade de refrear o consumo de petróleo – primeiro numa perspectiva de mitigação dos danos causados ao ambiente, e agora, pela necessidade premente de encontrar combustíveis alternativos.
Embora contribua apenas com cerca de 2% das emissões totais de dióxido de carbono produzidas pela actividade humana, e consuma somente 5% do combustível produzido mundialmente, a Indústria de Transporte Aéreo enfrenta um dos seus piores receios:
NO FUEL – NO FLIGHT
Ao contrário de outros modos de transporte, que dispõem de fontes alternativas de energia, não existem de momento outras opções para a Indústria Aeronáutica. O combustível à base de hidrocarbonetos é o único que fornece as necessárias qualidades e propriedades essenciais para a operação segura do transporte aéreo.
Aeronaves de transporte de passageiros e carga, movidas a energia eléctrica ou solar, ou usando o hidrogénio como combustível, ainda estão distantes. Assim, as aeronaves vão continuar a utilizar combustíveis líquidos num futuro prevísivel – e está assim aberta a corrida aos BioCombustíveis.
Vamos estudar os desafios colocados pela comercialização e distribuição dos Bio-Combustíveis.
Qual a possibilidade dos novos BioCombustíveis utilizarem as redes de distribuição e as infra-estruturas aeroportuárias existentes? Ou será uma necessidade?
E qual o papel e a intervenção dos Estados na fixação de preços e eventuais impostos sobre o seu consumo (à semelhança do que sucede com os combustíveis fósseis)?
Vamos então à descoberta deste novo mundo dos BioCombustíveis para a Aviação.
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